Veio à tona recentemente, um grave relato de abusos de poder cometidos contra funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong. Em cartas enviadas ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), servidores e contratados relatam um ambiente de trabalho “insustentável”, marcado por intimidação, desvio de funções, ofensas verbais e retaliações.
Entre as denúncias apontadas contra a chefia do posto e diplomatas responsáveis, estão o uso de apelidos pejorativos, esvaziamento de funções de servidoras, ameaças veladas de transferência e até a exigência de tarefas alheias às funções do cargo, como cuidar de animais de estimação.
A gravidade do assédio moral no meio diplomático
O Sindnações acompanha com profunda preocupação episódios como este. Infelizmente, a assimetria de poder histórica que existe em embaixadas e consulados frequentemente cria um terreno fértil para que abusos sejam cometidos longe dos olhos do público, sob o falso pretexto de hierarquia rigorosa ou imunidade.
Condutas como estas desrespeitam a dignidade do trabalhador, afetam gravemente a saúde mental das equipes e paralisam a própria prestação do serviço público e do atendimento à comunidade no exterior.
Rótulos ofensivos, silenciamento e medo de punição por denunciar irregularidades são formas inequívocas de assédio moral e não podem ser tolerados em nenhuma hipótese.
Impunidade ou resposta à altura?
O Itamaraty confirmou que as denúncias deram origem a um procedimento investigativo que resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos denunciados.
O Sindnações reforça que a apuração de denúncias de assédio precisa ser rigorosa e exemplar. Medidas brandas não podem servir para abafar a gravidade de condutas que desestabilizam a vida de dezenas de trabalhadores e trabalhadoras. A proteção aos denunciantes contra qualquer tipo de retaliação — direta ou indireta — deve ser a prioridade absoluta das autoridades.
Nossa Luta: Respeito e Dignidade no Trabalho
O Sindnações se solidariza com todos os trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam situações de intimidação e assédio no ambiente de trabalho diplomático e consular.
Continuaremos vigilantes e atuantes para que as embaixadas e consulados, sejam do Brasil no exterior ou de países estrangeiros aqui no Brasil, respeitem as leis, os direitos trabalhistas e, acima de tudo, a dignidade humana.
