sábado, março 7, 2026
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Sindnações pede que embaixador da Argélia seja declarado persona non grata após denúncias de agressão e assédio

O Sindnações manifestou preocupação diante das recentes denúncias envolvendo a Embaixada da Argélia no Brasil e o embaixador Abdelaziz Benali Cherif, acusado de tentar agredir um motorista da missão diplomática em Brasília.

De acordo com reportagem publicada pelo Metrópoles, o motorista Ulysses Souza de Araujo, funcionário da embaixada há 25 anos, denunciou ter sido alvo de tentativa de agressão por parte do embaixador. O caso teria ocorrido após o trabalhador solicitar autorização para se ausentar do serviço, a fim de comparecer a uma consulta médica relacionada ao diagnóstico de câncer.

Segundo a denúncia, a agressão só não aconteceu porque dois diplomatas presentes no local contiveram o embaixador. O episódio está sendo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal e também motivou denúncias ao Ministério Público do Trabalho por suposto assédio moral e punições administrativas aplicadas ao trabalhador.

Durante o período do atestado, o motorista recebeu duas advertências por “abandono de emprego” da embaixada, além do “retorno imediato”, caso contrário resultaria em rescisão do contrato de trabalho por justa causa.

Histórico de conflitos trabalhistas

Para o Sindnações, o caso não é um episódio isolado. A entidade relembra que, ainda em 2017, denunciou publicamente a postura da representação diplomática argelina por descumprir decisões judiciais relacionadas ao pagamento de direitos trabalhistas a ex-funcionários brasileiros.

Na época, o sindicato realizou manifestações públicas denunciando que a embaixada não acatava ordens judiciais para quitar valores devidos a trabalhadores demitidos. A situação gerou protestos e mobilizações para alertar autoridades e a sociedade sobre o problema.

Segundo o sindicato, infelizmente casos como esse evidenciam que parte das representações diplomáticas ainda mantém uma cultura de desrespeito às normas trabalhistas brasileiras.

Pedido ao Itamaraty

Diante das novas denúncias, o presidente do Sindnações, Raimundo Oliveira, afirmou que a entidade pretende solicitar formalmente ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que considere o embaixador argelino persona non grata no país.

A medida encontra respaldo na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, tratado internacional que regula as relações entre Estados e define direitos e deveres de representantes diplomáticos.

O artigo 9º da convenção estabelece que o Estado anfitrião pode, a qualquer momento e sem necessidade de justificar a decisão, declarar um diplomata persona non grata, obrigando o país que ele representa a retirá-lo do território.

Imunidade não significa impunidade

O sindicato ressalta que, embora diplomatas possuam privilégios e imunidades, esses direitos não significam autorização para descumprir as leis do país onde atuam.

O artigo 41 da Convenção de Viena determina que todos os integrantes de missões diplomáticas devem respeitar as leis e os regulamentos do Estado acreditador, no caso, o Brasil, além de evitar qualquer conduta que interfira nos assuntos internos do país.

Para o Sindnações, o respeito às leis trabalhistas brasileiras deve ser uma obrigação mínima de qualquer representação estrangeira que mantenha funcionários nacionais.

Defesa do trabalhador brasileiro

A entidade reafirma que continuará acompanhando o caso e prestando apoio aos trabalhadores que atuam em representações diplomáticas.

“Diplomacia deve ser sinônimo de respeito entre nações e também de respeito ao trabalhador brasileiro”, destacou o sindicato.

“Os funcionários são diariamente submetidos a maus-tratos, com ameaças, humilhações, intolerância religiosa, assédio moral, desvios de função, desrespeito à jornada de trabalho e ao horário de almoço”, diz.

Ulysses também destaca que há “agressões verbais, atitudes grosseiras e prepotentes por parte do embaixador” com certa frequência, o que acabava por tornar o ambiente de trabalho “insuportável” para brasileiros e argelinos.

Desvio de função

O Sindnações também reforça que continuará vigilante na defesa dos direitos trabalhistas de empregados que atuam em embaixadas, consulados e organismos internacionais instalados no país. Segundo relatos, o trabalhador em questão e outros funcionários também são obrigados a trabalhar em outras funções, como, por exemplo, em obras, atuando como pedreiros ou ajudantes de pedreiro.

Nenhum direito a menos. Diplomacia não combina com injustiça.

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